Leiomioma ou, mais popularmente, mioma, é uma neoplasia (tumor) benigna de células de músculo liso uterino que se chama miométrio (camada muscular do útero).
Muitas mulheres ficam apavoradas quando descobrem que têm mioma, mas vale ressaltar que se trata de um tumor benigno, que tem uma chance muito baixa (0,3-0,5%) de se virar um tumor maligno.
São os tumores mais comuns do trato genital feminino e acometem cerca de 20-40% das mulheres em idade reprodutiva, sendo que a grande maioria das mulheres com mioma é assintomática.
Causas e fatores de risco
A causa dos miomas ainda não é totalmente conhecida. Sabe-se que é um tumor hormônio-dependente (estrogênio e progestagênios) e que seu surgimento pode ocorrer após a menarca (primeira menstruação) e perdurar até a menopausa.
É mais comum em mulheres negras, com história familiar (mãe ou irmã) com sobrepeso ou obesidade. A maior taxa de gordura propicia o desenvolvimento de miomas devido à maior produção de estrógeno periférico nas células adiposas. Outros fatores de risco podem ser citados como nuliparidade (nunca ter tido filhos), Síndrome dos Ovários Policísticos, Diabetes Mellitus e Hipertensão arterial.
Tipos de mioma e sintomas

Os sintomas causados pelos miomas estão associados com seu tipo e localização:
- Submucosos: que aparecem no interior do útero, podem acarretar sangramento abundante e anemia.
- Intramural: aquele que se desenvolve no meio da parede uterina, provocando principalmente cólicas menstruais de forte intensidade (dismenorreia) e também aumento do fluxo menstrual.
- Subserosos: que surgem na parte externa do útero, cujo principal sintoma é percebido quando passam a comprimir outros órgãos, como o intestino e vias urinárias. Podem causar, portanto, compressão da bexiga levando a uma necessidade frequente de urinar; compressão de um ou ambos ureteres, causando hidronefrose (dilatação dos rins) e compressão sobre o intestino, levando a constipação e distensão abdominal.
- Pediculados: podem estar dentro da cavidade do útero (intracavitário) e podem aparecer na parte externa do útero. São ligados à parede uterina apenas por um tecido chamado pedículo, e também podem causar compressão de órgãos adjacentes.
É importante lembrar que mulheres portadoras de miomas com aumento do fluxo menstrual também podem desenvolver anemia por deficiência de ferro e alguns tipos de miomas, principalmente o submucoso está associado com infertilidade.

Diagnóstico
Como a grande maioria das mulheres com mioma não apresenta sintomas, muitos dos diagnósticos são feitos de forma incidental, de forma ocasional quando o médico levanta o histórico da paciente, faz o exame ginecológico ou pede um ultrassom. Algumas outras pacientes, descobrem o mioma quando estão investigando infertilidade.
Em mulheres sintomáticas o diagnóstico começa com um exame físico ginecológico completo e basicamente exames de imagens como o Ultrassom Pélvico e Ressonância Magnética de Pelve. A Ressonância é realizada em casos em que a localização dos miomas não foram exatas pelo ultrassom e para definir se há compressão de órgãos adjacentes.
Tratamento
Em primeiro lugar, mulheres com quaisquer sintomas devem procurar o ginecologista para avaliação completa.
Mulheres assintomáticas não precisam de tratamento. A terapêutica tem por finalidade melhora cólica menstrual e o aumento do fluxo e período menstrual, melhorando a qualidade de vida da mulher. Deve-se levar em conta o futuro reprodutivo da mulher, bem como o simples desejo de manutenção do útero.
O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico.
a) Clínico
Analgésicos comuns e Anti-inflamatórios não esteroide (AINE) para alívio da dor, Antifibrinolíticos e AINE para diminuição do fluxo menstrual. Medicamentos à base de hormônio como Anticoncepcionais orais ou injetáveis para bloqueio do ciclo menstrual e, assim, diminuição dos sintomas, já que estes aparecem principalmente durante a menstruação.
b) Cirúrgico
Histerectomia: cirurgia utilizada para retirar o útero. O benefício é definitivo; entretanto, não é indicada para mulheres que ainda querem gerar filhos ou desejam manter o útero.
Miomectomia: cirurgia de retirada do mioma, preservando o útero. A anatomia do órgão é restabelecida e os sintomas diminuem. Indicada para mulheres que desejam desejo reprodutivo ou para aquelas que têm infertilidade causada pelo mioma, melhorando assim, as chances de engravidar.
Embolização das Artérias uterinas: procedimento realizado por meio de um cateter introduzido na artéria femoral e direcionado às artérias uterinas, responsáveis por nutrir o mioma. Injeta-se micropartículas que embolizam as artérias uterinas bloqueando a alimentação do tumor. Há melhora das queixas e diminuição dos miomas, porém não é aconselhável em mulheres com desejo reprodutivo, pois pode alterar a atividade do endométrio na implantação do embrião.
Ultrassom de Alta Frequência focalizado e guiado por Ressonância magnética: modalidade nova, minimamente invasiva para tratamento dos miomas. A paciente deita-se na mesa de ressonância e, por meio do ultrassom, ondas de alta frequência são direcionadas para o mioma que sofre uma ablação e necrose do tecido. Estudos ainda estão sendo realizados para avaliar a real indicação deste método. Inicialmente também é contraindicado para mulheres com desejo reprodutivo pois ainda não se sabe se é prejudicial ao endométrio (camada que reveste o útero por dentro e onde se implanta o embrião).





